Fotografar é reconhecer, ao mesmo tempo e numa fração de segundo, um evento e a organização rigorosa das formas percebidas visualmente e que expressam este evento. É reunir, no mesmo ponto de vista, a cabeça, o olhar e o coração.
(Henri Cartier-Bresson 1908)
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domingo, 22 de janeiro de 2012

Saudade trôpega

Saudade são aquelas casas que um dia o coração habitou
... e onde agora pousam os olhares
movidos por pássaros de canto frágil
Saudade são aquelas árvores despidas de folhas
que migraram ondulando nos ventos
dos estios desérticos das palavras gastas
Saudade são as marés fechadas na concha da mão
vislumbre da música eterna cantada pelas gaivotas
Ah as gaivotas
essas não sofrem de saudade
criadoras da fronteira da terra e do mar
desenham no limite da maré
linha onde descalço tropeço
a espumosa melancolia das ondas
Saudade são as pegadas deixadas na areia
vultos de pés perdidos que em breve
trôpegos de maré e vinho
se abandonam à tristeza da fronteira dos pássaros!
Autor desconhecido


Fotografia de @ Paulo Mendonça

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